DA MORTE DO AMOR

É quando me brotam tantos espinhos nas mãos e os dedos já não agüentam. Pena, é hora de tocar.

- Encosta na pele...
- ... e sangra!

É um grande sono, escorre, engana. Fica a força contida, porém , um esqueleto inútil, o corpo fica, não anda e nada anda para ser sincera. Numa ciranda sem vencedores, inútil virtude:

- Arranhar a si...
- ...e a outro.

Quando me brotam tantos espinhos nas mãos, as palmas precisam de sol, para não inflamarem, destruírem, necrosarem.

- Abrir a janela...
- ...é cilada ou maldição.

Pousou uma criança dentro do meu peito, ela sorri de tanto descompasso [ninguém sabe, nunca saberá que os dias estão contados] e asfixiada, tenta um pouco de luz abrindo um buraco na minha carne a dentadas, à vontade.

- Não existe ar dentro...
- ...tão pouco fora.

Retrai-se a mão ferida. Da pequena morte só se sabe um sapato colegial, virado do avesso na avenida movimentada do meu coração.



Posted 6:34 PM by RENATA CORRÊA


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Há uma moça que me habita. Parece que chama-se Alice. Será que ela sai?
Posted 11:20 AM by RENATA CORRÊA


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