Quinta-feira, Janeiro 26, 2006
DA MORTE DO AMOR
É quando me brotam tantos espinhos nas mãos e os dedos já não agüentam. Pena, é hora de tocar.
- Encosta na pele...
- ... e sangra!
É um grande sono, escorre, engana. Fica a força contida, porém , um esqueleto inútil, o corpo fica, não anda e nada anda para ser sincera. Numa ciranda sem vencedores, inútil virtude:
- Arranhar a si...
- ...e a outro.
Quando me brotam tantos espinhos nas mãos, as palmas precisam de sol, para não inflamarem, destruírem, necrosarem.
- Abrir a janela...
- ...é cilada ou maldição.
Pousou uma criança dentro do meu peito, ela sorri de tanto descompasso [ninguém sabe, nunca saberá que os dias estão contados] e asfixiada, tenta um pouco de luz abrindo um buraco na minha carne a dentadas, à vontade.
- Não existe ar dentro...
- ...tão pouco fora.
Retrai-se a mão ferida. Da pequena morte só se sabe um sapato colegial, virado do avesso na avenida movimentada do meu coração.
Posted 6:34 PM by RENATA CORRÊA