POEMA DE NAMORADOS
(Para um príncipe de chinelos)

Tanto que demais
o mar se fez
e...
ai!
tanto foi
a onda voltou
dentro do oceano
ela ainda revolve?
fiz-me mar
fiz-me amar
e agora?
uma onda
ainda existe
no fundo do oceano?
é você em mim
minha pele
te obedece
mesmo quando meus dedos
não o podem
fiz-me mar
para que você
abrisse os olhos
mesmo debaixo do sal.

Posted 9:23 PM by RENATA CORRÊA


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FRASES DA SEMANA (PASSADA)

- Lula sabia? Eu também!

::

- Ele é um escândalo-charme-macio...

::

- Ele surge como água em bueiro.

::

- Compra um audi pra mim?

::

- Eu não sou viciado. Eu só não consigo me controlar depois que cheiro.

::

- Eu não sou viciada. Só tenho muita vontade de fumar toda hora.

::

- Ah, um boquete não é pornográfico. Minha boca é cheia de bactérias já... Ruim é punheta, minha mão tava limpinha eu ia colocar naquele pau que eu sei lá por onde passou?

::

- Ela é tão bonita quanto filha da puta. E olha que ela é muito filha da puta.
Posted 5:54 PM by RENATA CORRÊA


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Viagens por lugares inexistentes da América, parte 2.

Durante quase dois meses, Ana Cecília ficou à deriva, com alguns potes de azeitonas, e um galão de água potável. Pensou que no acidente, nenhum de seus parentes sobrevivera. Afinal, viu os restos do barco se transformarem em fogos de artifício bem na sua frente.
Ana Cecília não se enganava. Apesar de jovem, tinha nascido na cabine de um pesqueiro, sabia que se o resgate demorasse, viraria carne curtida ao sol.
Consumiu as azeitonas com parcimônia, a água mais ainda, e assim foi vivendo.
No quadragésimo nono dia, percebeu que ficava desacordada por breves períodos. Poderia não ter sorte na próxima, escorregar no seu naco de madeira e afogar. Com paciência, foi rasgando o que sobrou da roupa e amarrou-se pela cintura no seu pequeno flutuante. No sexagésimo segundo dia, acordou deitada numa cama improvisada num baleeiro - Sereia, ninfa ou deusa? - perguntava o homem com quepe e dedos de capitão. Mas perguntava para si mesmo. Ana Cecília descobriu que podia ler a mente dos homens do mar.
Por causa das escamas herdadas da família, das vestes brancas esfarrapadas e da placidez que a morte marinha provoca, a tripulação estava convencida de ter encontrado um exemplar legítimo de Ondina, ou coisa que valha.
De outubro até janeiro, o baleeiro passou do extremo sul ao pacífico e Ana Cecília continuava cercada de cuidados, era a sorte do barco, era a sorte de toda gente que ali estava. Mais gorda e corada não havia perdido o tom de divindade, porém ignorava o que a fazia tão especial aos marujos. Cada pesca era comemorada com vivas e brindes direcionados a ela, era nos pés dela que tantos homens se prostravam na esperança de oração durante a tempestade.
Em fevereiro o barco aportou em Casilla Nobre. A missão estava terminada, havia sido lucrativa, os marujos batiam seus dentes dourados atrás das prostitutas, da família, ou do vício. O capitão Daniel fez questão de compartilhar com toda cidade a boa sorte que trouxe a presença da fada Atlântica que como uma aparição, salvou o baleeiro de ventos terríveis e jogou a fartura aos pés da tripulação apenas com a sua presença.
A notícia, ligeira, fez com que uma bolsa informal começasse a ganhar vulto em Casilla Nobre. Toda gente vinha ver Ana Cecília, que ainda ocupava seu posto de rainha da embarcação baleeira. Alguns gostariam de desposá-la. Outros de comprá-la ou talvez um aluguel bem remunerado para uma ou outra missão mais ousada.
Daniel, sabendo que a ira divina se abate sobre quem não divide os milagres em terra tão pobre, leiloou Ana Cecília. Ficou com dois barcos, uma taberna e alguns cobres. Foi com lágrimas nos olhos que se despediu da mais perfeita prova da existência de Deus.
Ana Cecília ficou toda sua vida embarcada. Em cada porto, ao fim de cada missão, era vendida, doada, trocada. Não conheceu terra firme até a sua morte, num cargueiro oriental, onde velhas indianas trançavam seus longos cabelos brancos e lhe faziam escalda pés perfumados.

Posted 12:46 AM by RENATA CORRÊA


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LENÇÓIS

Se coloco
Meus lençóis
No pequeno varal
Do amor
É para que sequem
Ao vento
Ou
Que molhem
Na brisa
Orvalhada
Da madrugada
Se coloco
Minhas pernas
Nas suas brancas
Pernas
É para que enlouqueçam
A matemática
E nos lençóis lavados
De duas
Virem quatro
Mágicas
Loucuras deslavadas
De pernas que teimam
Raras
Entrelaçadas
Sorrindo a teimosia
Da água
Do banho
Da cama
Pois poeta
Ama
O amor, o lençol,
A água,
E desanda matemáticas
Brancas
E doces quatro
Pernas que amam.

Finalmente a prometida parceria entre mim e o Sr. Poeta Alexandre Beanes.
Posted 11:20 PM by RENATA CORRÊA


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Tá na minha cara, no meu corpo, no ar que cerca a cidade, que me cerca. A obviedade da coisa, eu esparramada, espalhada em cada canto. Chove, e eu vou ao bueiro mais próximo me derramar.
O líqüido que ninguém bebe: estou a me escurecer, a me contaminar, minha espinha é convergência de toda impureza que surge. As de fora pra dentro, e as que já nascem tão minhas, que ninguém sabe se vieram das paredes ou do teto aberto.
A gente morta no asfalto e o bicho morto no asfalto - já são belos e integrados a sua nova existência de via; eu não corro, não vou a lugar algum.
Dos pedaços que me compõe.
Ou daqueles que me contém.
Sou chumbo, até.
Última gota.
Posted 10:19 PM by RENATA CORRÊA


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#7 - OS SENTIDOS.
Posted 9:06 PM by RENATA CORRÊA


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Aquele de quem lhe falei
Além do Umbigo
Asas de madeira
Áspero é o teu dia
Bebo sim
Bloco do eu sozinho
Cambalhotas de irrealidades
Diário-AVATAR
Forsit
Liberal libertário libertino
Meu Paredro
Metrolinguagem
Moacir Caetano
O passo que se apressa
Poetizar3
Porta Aberta
Post Scriptum
Recheio de que?
Renato para Senador!
Sentido-Abstrato
Se ferrou, madame!
Seu dinheiro de volta
Tatiana Vieira
Tequila Sun


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