Isso foi uma tentativa de texto pro tema mentira no aquele. Não gostei. O texto em si não é nada demais. Meu segundo maior crítico disse: vazio. Mas a Malu, minha prima de doze anos, adorou. Em homenagem a ela, aí está. E para que não esqueçam: a próxima edição do aquele, dia 1º de abril aqui!

CACHORROS NÃO FALAM.

Foi na praça, na beira de uma extensa rodovia marginal, um cão quase verde sentou-se ao meu lado. Digo quase verde, pois alguém desatento poderia dizer: Amarelo sujo. Ou então: Molhou-se no último temporal. Mas estariam enganados.
Ele contou coisas fantásticas sobre viagens, e da culinária da Calábria. Sobre dançarinas de Can Can tailandesas e como foi bem sucedido na exploração de diamantes no norte da África. Infelizmente perdera tudo no jogo a última vez que estivera em Las Vegas. Sim, havia guardado algum para uma emergência. Foi aí que despistou os credores e comprou uma passagem pra Argentina onde se sustentou durante dois meses como dançarino de tango. Perguntei como ele falava o português tão bem. Geralmente cães não falam, ainda mais com essa fluência. Confessou então que era mineiro da cidade de Governador Valadares e que havia sido pego por uma carrocinha. Dias antes de um desfecho trágico foi adotado por uma dondoca que o levou num cruzeiro. No ato do desembarque, fingiu afogar-se para viver livremente. Foi aí que começou a sua jornada.
Agora, depois de tantos anos, voltou para sua terra natal. Resolver umas pendências antigas, rever a família, sabe como é. Está velho, foi o que disse. Mas acho que nunca saberei os reais motivos que o trouxeram de volta.
E foi por isso que eu resolvi não fugir de casa, mãe. O Sr. Cão me aconselhou. Juro nunca mais pular a janela se você prometer nunca mais me deixar de castigo.
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- Esse menino precisa de terapia, Jorge.
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Nos fundos da casa, Dona Inês, a empregada, varre o chão. Um pêlo verde pousa na ponta de seu nariz, devido a violência das vassouradas.
Posted 5:18 PM by RENATA CORRÊA


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O último capítulo da Liga está no ar aqui e realizou o desejo aí de baixo. Aproveitem o belo texto e descubram o que aconteceu com o pobre Alan e sua saga de absurdos.

Posted 1:23 AM by RENATA CORRÊA


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Estou com coceiras para fazer uma provocação barata, impiedosa, sarcástica, maldosa e gratuita neste blog. Alguém me dá um Prozac, por favor?
Posted 8:20 PM by RENATA CORRÊA


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AQUELE!

Isso, isso! Aquele de quem lhe falei edição #2 no ar!
Eu escrevi sobre demônios malvados que atacam pessoas em plena luz do dia. Mas além de mim, tem gentes que escrevem, e essas escrevem muito muito bem.
Alem disso a vítima, ooops, quer dizer, convidada é a Olivia Maia, que escreveu sobre duendes, gnomos e leprechauns. Mas ela não sabe o que é um leprechaun.
Posted 4:39 PM by RENATA CORRÊA


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Uma toalha que cai, arrastando tudo o que havia sido posto na mesa - temo ainda a própria linguagem - é assim que vejo.
Fina
Tênue
Enreda e padece, simultaneamente.
Inseto
Será injusto atrair pela palavra?

Posted 5:18 PM by RENATA CORRÊA


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Marina tinha 16 anos e uma mancha amarelada na calcinha. Marina não era mais virgem, desde sexta feira. Marina tem medo de ir ao médico. Mas vai.
Era quinta feira quando Paulo disse que achava que ela não liberava por que deveria estar cheia de fungos nojentos. Mas Dr. Percival disse que provavelmente os fungos nojentos seriam de Paulo, e não dela. Passou uns remédios e disse pra Marina usar camisinha na próxima vez.
Marina nunca odiava ninguém, mas quis que Paulo fosse atropelado quando lembrou que não poderia ingerir álcool durante o tratamento. A única diversão de Marina era cheirar loló e beber vinho de garrafa de plástico depois da aula.
Paulo não entendeu quando Marina lhe enfiou um comprimido pela goela e mandou ele se fuder.
Três sextas depois, Marina namorava Eduardo e já podia beber. Eduardo gosta quando Marina morde seu pescoço e promete um boquete quando chegarem na casa dela. Nem sempre ela cumpre.
Eduardo vai se mudar para Salvador, e Marina não gosta dele tanto assim, mas ficou triste e pensou em dizer que o amava para ver qual seria a reação. No segundo seguinte esqueceu a idéia, pois Cecília trouxe um pouco de maconha.
Durante as férias de verão, Marina se esfregava com seu primo mais velho no quartinho de banho ao lado da piscina. Foi no verão passado que viu porra pela primeira vez, e gostou. Queria ser homem só pra ver como é que era.
Um dia falou disso para Eduardo, e ele chorou. Ela se sentiu aliviada por não dizer que o amava. Disse a ele que fosse feliz na Bahia, enquanto passava um brilho labial sem olhar no espelho e pediu para Paulo tirar a mão de sua bunda enquanto falava no telefone. Paulo não sabia que Marina estava esperando um filho. Marina, depois de tomar quatro comprimidos de Inibex com uma garrafa de cerveja, decidiu comemorar seu último dia de gravidez. Dr. Percival e a mãe de Marina já tinham acertado preço e data.
Durante a noite Marina e Paulo beberam e dançaram, riram. Marina relembrou a história dos fungos e Paulo caiu na gargalhada, dizendo que pagava uma tequila com o preço do comprimido.
Marina tem 17 anos e gosta de sentar no meio fio. Marina não foi até à clínica no dia combinado. Paulo gosta de comer tacos no shopping. Lúcia nasceu com seis dedos.
Posted 2:54 PM by RENATA CORRÊA


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Aquele de quem lhe falei
Além do Umbigo
Asas de madeira
Áspero é o teu dia
Bebo sim
Bloco do eu sozinho
Cambalhotas de irrealidades
Diário-AVATAR
Fernando Flack
Forsit
Liberal libertário libertino
Meu Paredro
Metrô Linguagem
Moacir Caetano
O passo que se apressa
Poetizar3
Porta Aberta
Post Scriptum
Renato para Senador!
Sentido-Abstrato
Se ferrou, madame!
Seu dinheiro de volta
Tatiana Vieira


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