Terça-feira, Setembro 28, 2004
29ª Edição do Blogautores! Os textos foram garimpados pelo meu querido poeta-baiano-rabujento Alexandre Beanes, e como convidadas eu e a Grega, Marpessa de Castro, com ineditismos. Espero que gostem!
Posted 12:01 PM by RENATA CORRÊA
Segunda-feira, Setembro 27, 2004
Ah, então é assim? Quer dizer que eu sou não linear? Inconstante, talvez. Volúvel, jamais.
Mas vamos ao que interessa:
Então eu não sei escrever com começo, meio e fim? Aqui está, então. Veja com seus próprios olhos. Não é uma única história com começo, meio e fim. Nem duas.
Sustente a opinião, vai. Duvido.
JUJU COXÃO
Juju Coxão comprou uma saia branca nova (começo) e foi encontrar com Alfredo, seu amante (meio).
E se você não sabe como termina, meu bem, não sou eu que vou explicar (fim).
FIVELAS
Um escândalo! Um escândalo! (começo).Encontraram as fivelas de cabelo da filha do prefeito no quartinho do motorista! (meio)
E agora ele tem emprego público. E ela, um vestido branco, guardado, em cima do armário (fim).
PROVA FINAL
Marcinha não tinha par para ir na festa. Marcinha tinha óculos e aparelho. Tadinha de Marcinha era gorda, a pobre (começo).
Então Marcinha recebeu um telefonema de Geraldo (meio).
Ele queria os cadernos emprestados. E ela não foi à festa (fim).
NA TORRE EIFFEL.
Foi lá que ele viu: A distância era cem quilômetros menor (meio).
Ela escreveu: Bom texto (começo).
E o fim? Ah, se eu soubesse o fim.
Posted 6:17 PM by RENATA CORRÊA
Segunda-feira, Setembro 20, 2004
(Sem título)
Agora.
Essas coisas, a gente tem que cortar pela raiz. O mal, eu digo. O menor, dentre todos os possíveis.
O homem contou que às vezes estala. Eu achei piegas. Eu também tenho meus momentos. Tudo estala: cotovelos, dedos, pescoço.
- Mas e o coração?
Sim, sim, mas já faz tanto tempo. Eu queria, mas.
Eu acredito no tempo.
Nunca no espaço.
Acontece aqui.
Por que não já?
E houve música. Mas aí piegas sou eu.
Infelizmente todas essas histórias são iguais. Desde que inventaram a coisa (não digo mais o nome), fico me repetindo.
E o mundo fica se repetindo.
E são sempre bocas (que falam sem parar).
E é sempre noite (não ouço bem no escuro).
E sou sempre. E ainda assim, espelho, só para me certificar.
Até onde sei, não faz bem ficar olhando para a ferida esperando o pus sair. Nem ficar mexendo e torcendo: Purga, purga! Ainda mais as desse tipo: ficam logo abaixo do umbigo.
Posted 10:01 PM by RENATA CORRÊA
Segunda-feira, Setembro 13, 2004
Devo me desculpar por isto?
Pode ser um tiro no peito tão bonito? O primeiro som (pombos, pombos, e ainda sozinho, um pardal) depois um grito, dois talvez. Mas já não importa - um giro no ar: segundos - o chão rejeita o corpo, e o corpo pede o ar. De braços estendidos, olhos vidrados e sangue que esvai sem nenhuma utilidade, a boca, surpresa, aberta.
Caso o amor não se assemelhe a isto, não sei mais o que é.
Posted 1:50 PM by RENATA CORRÊA
Quarta-feira, Setembro 08, 2004
Em parceria inédita, eu e o querido cronópio curitibano Gil Brandão escrevemos esse texto, que trouxe de volta para mim o universo poético. Aquele que eu tinha esquecido devido a crueza da prosa. Espero que gostem.
O DIA É MANSO
O dia é manso,
Como que tentando camuflar a escuridão no ar.
Quanto está para chover, o tempo pára.
- Tá feio o céu, hein ?
- Não tá não.
Eu afundo a cara no jornal e finjo ler. As letras embaralhadas.
Estou escuro também, eu faço parte da camuflagem.
- Que horas são ?
Mostro o pulso vazio. Quando está para chover, eu páro.
Quem já viu todos os sapatos do metrô sabe que a tragédia é eminente
.
- Dá licença ?
O tempo rui. Quando está para chover, o tempo desaba, sem uma gota d'água.
- Guarda- Chuva, só cinco reais !
Quem pisa nas poças sabe do que eu estou falando.
As folhas das árvores anunciam que não existem mais segredos.
A sinfonia começa.
Posted 11:53 PM by RENATA CORRÊA
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