Evite, durante dois meses, o contato de secreções (sêmen, saliva e suor) com a perfuração.

Como assim? O piercing novo está na minha orelha. Sêmen, vá lá. Mas suor e saliva? Suor é impossível. Todo mundo sua. Inclusive eu, a dona da jóia. E a saliva? Orelha e língua são intrínsecos. Não, não, por favor, não coloque seus lábios sobre minha orelha esquerda... Alguém se imagina proferindo tal sacrilégio?
Bom, estava eu, perdida nesses profundos pensamentos, lendo as recomendações do estúdio, quando lembrei que não haveria mesmo por que me preocupar. Vou filmar amanhã de manhã, tenho inglês à tarde e o potencial "lambida na orelha" dessas atividades é nulo. Segunda tem prova, logo, tenho cinqüenta quilos de texto sobre edição sonora para ler durante o Domingo. Por tanto, o piercing está (?) a salvo, pelo menos nesse fim de semana. Pelo menos nesse.

Posted 2:16 AM by RENATA CORRÊA


Comments:


COLADO NA GELADEIRA

E para cada carta que eu escrevo, um arrependimento. Uma dor, um arranhão. A cada carta que escrevo, o desejo de dizer, mas sempre caem no papel listas de supermercado, recados para a empregada, notas fiscais.
Por maior que seja o esforço para contar sobre filhos bastardos, heranças perdidas, casamentos por conveniência, o desmascarar de um patife e a redenção final, é vão. Nas suas mãos mais um papel que não conta nada, que sequer furta uma lágrima, faz esboçar um sorriso constrangido, ou uma denúncia de cumplicidade. No branco, apenas o concreto, o destino: Lixo. E não uma caixa de guardar lembranças velhas e provas do tempo, no fundo de um armário.
Eu saio de casa, carrego sacolas e óculos escuros e não sei mais andar de patins. Eu só chego à noite e minhas toalhas estão molhadas. Na nossa cama, eu, deitada na diagonal.

Posted 2:54 PM by RENATA CORRÊA


Comments:


FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DELE

Hoje não escrevo

Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (¿com isenção de largo espectro¿, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.

Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.

E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...

Então hoje não tem crônica.


Posted 4:09 PM by RENATA CORRÊA


Comments:


UM POUCO DE OTIMISMO OU "SE VOCÊ ACHA QUE EU NÃO ACREDITO EM NADA, LEIA ISTO"

Bom, você diz que sou descrente. Não é só você que acha não. Cética, pode até ser, mas descrente? Sou uma pessoa de crenças simples, veja só:

- Acredito, piamente, que de All Star, posso sair de uma festa de casamento direto para uma escalada no Himalaia;
- Nos Beatles;
- No Drummond;
- Nos reveses do destino ( e das cartas);
- Que não há revolução sem sangue;
- Em diários com cadeado;
- Na vontade;
- Nas leis de Newton.


Posted 12:43 PM by RENATA CORRÊA


Comments:


INSOLÚVEIS

Tão vasto que é, cria em mim certas reservas. Não digo que seja por causa dessa mania de controle ou de querer de menos.
Por saber, e sempre sabemos, que não posso contar as coisas que ainda vivem aqui dentro. Só aquelas que já não são. Procura, abre, espia. E ainda assim, só encontra um novo porquê.
*****
Corta mais um número na horizontal. E assim acha que passa. Dizer que não importam quantas canetas e calendários, ponteiros e ônibus é inútil. Não vê que é maior?
*****
Diz, como quem assobia atravessando a rua, as coisas mais fantásticas (litoral, passado, letra e riso). O dia pesa; o cotidiano - dois gigantes que adormeceram sobre teu peito. Foge para o alto e não entende: eu prefiro chão.


Posted 7:29 PM by RENATA CORRÊA


Comments:


DIÁRIOS DA MOTOCICLETA

O Walter Salles, faz muito tempo, já deixou claro que não tem mais farinha no saco para mostrar.
Diários da Motocicleta é um filme correto, mas, lembra quando você chamava seu coleguinha de colégio de "Bobo, chato e feio"? O filme é quase isso: Bobo e chato. Só que é bonito. Mas até a beleza dele é incômoda: Asséptica, higienizada, estrangeira à realidade que pretende mostrar, do continente Latino Americano.
Desculpe, Gael, você é lindo, mas seu Ernesto Guevara está bem no clima do Waltinho: Frio como o Chile. Até a montagem do Daniel Rezende está burocrática.
Existem bons momentos, diálogos bem colocados, mas fica sempre aquela sensação de que falta um pouco de sangue e suor, sabe? E o roteiro nos brinda com a metáfora mais patética do cinema dos últimos tempos: A seqüência onde El Fuser atravessa o rio que corta a colônia de leprosos. O fim.
E os "momentos Sebastião Salgado"? Você crê em um Roadie Movie com "momentos Sebastião Salgado"? Pois é. Nem eu.
Ficam como vale ingresso a atuação de Rodrigo de La Serna, como um simpático Alberto Granado, uma certa nostalgia utópica (ainda que ainda não exista A utopia, só utopistas) e a certeza de que meia dúzia de burgueses assumidos vá sair com uma leve dorzinha do Cinema. E só.


Posted 7:31 PM by RENATA CORRÊA


Comments:


PARA L.

Nunca havia visto nada tão absurdo: Você e todos aqueles azuis.
A cada passo, a cada gesto seu (mãos no bolso, virar o rosto, por os óculos), iam os azuis, acompanhando de forma obediente, como se alguém os houvesse soprado, quase brisa de ventilador.
L, como algo tão formidável invade teu espaço, torna-se imperativo, enquanto eu, insone e imóvel, apenas presencio tal espetáculo?
A cada nota simples da tua voz, vibram alegres os azuis em concordância de cor e temperamento.
Surpreende-me este comportamento, que induz o pensar em piqueniques de verão, dias formidáveis, e outros clichês.
Absorvo e me entrego a cada abrir de cortinas de teus azuis (tão volúveis azuis!), e à simplicidade de sua morte; mofam no calor, congelam no frio, abandonam, caindo no chão como bolas de vidro.

Posted 5:28 PM by RENATA CORRÊA


Comments:


Um pouco doce demais. Um pouco solicito demais. Sempre um passo à frente. Não escolhe o filme, nem o restaurante. Tem sempre um sim na ponta da língua, no sexo é um gentleman. Ama seus músicos e seus autores prediletos, aceita qualquer sugestão. Diz que você está linda de pijama e pantufa, elogia o que você diz, o que você escreve, gosta dos seus amigos. Quer sempre andar de mãos dadas. Liga para perguntar como você está, três vezes ao dia. Manda mensagens fofas no celular, emails românticos e põe seu cachorro fedido no colo.
Acredite: Esse aí não é o cara perfeito. Esbarrou com ele, corre, pois é o típico controlador de meia tigela querendo se passar por bonzinho. Muito cuidado, garotas, muito cuidado... Mesmo por que, de homem bonzinho, já basta seu amigo gay. E olhe lá.

Posted 7:48 PM by RENATA CORRÊA


Comments:


Garamba, dô mal. Buda gue bariu.
Agordei com vebre, vui direto bara o zet, e beu nariz dá buito vermelho. A obra lá em gasa dão agaba nunca mais e eu ganho sinusites, rinites e dodos os "ites". (atchim!)
Ainda denho que valar com a dona da logação, uma zenhora histérica e jata pra gaceta. Dão agüendo mais esse bovo que acha gue zabe vazer zinema... (funga, funga, funga...)
Ainda bem gue a reunião gom o Gagá Diegues dão é hoje...
Eu breziso de gavuné e lenzinho. O lenzinho eu já bedi bara a varmácia. E o gavuné, gomo é gue eu vaço? Dá divícil gafuné nesse bundo... Ze divesse um disk-gafuné eu ligava agora (atchim!)
E ainda gomeço o gurso de Vranzês abanhã. Vai zer lindo, ezbalhar beus vírus bara beus novos golegas. Belo menos esbirro em Vrancês deve ser bem mais chique...

Posted 2:21 PM by RENATA CORRÊA


Comments:


ALEGRIA

Espera, que a hora vem. Não tem senha, nem nada agendado; alguns dizem que é por ordem de chegada, mas nunca observei um padrão.
Espera que ela vem. É inevitável. Não vou celebrar este dia, não o aguardarei com entusiasmo. Sou eu que o tenho em minhas mãos, enquanto no sono, seu corpo arde ansiosamente. Isto basta.
Saberei sair sem deixar marcas. Enquanto ela não vem, posso ser sua?

Posted 11:42 AM by RENATA CORRÊA


Comments:


OS MISTÉRIOS DO GOOGLE

Pois estava no google tentando encontrar uma imagem de subúrbio carioca para ilustrar minha comunidade no Orkut (Aliás, eita coisinha viciante, e olha que eu não tenho coraçõezinhos, nem cubinhos, nem carinhas, só algumas estrelinhas caridosas), quando, de dentro de minhas aspas sai uma foto do Procurando Nemo da hp do Jornal de Copacabana. Juro, vai lá, digita "Subúrbio Carioca". Quero ver quem me explica um troço desses.


MAIS ORKUT...

Juro, estou me sentindo um dos bonequinhos do The Sims.

... E SUBÚRBIO.

Nem que só eu, fundadora, fique na comunidade, mas que precisar precisava. Caramba, não tem NENHUMA ocorrência para "suburbano" ou "subúrbio". Como ex-moradora de Oswaldo Cruz, frequentadora da Quadra da Portela e da festa junina da Rua Felizardo Gomes desde de pequena, devo esta honraria para aqueles que moraram ou moram do no lado sem vista do túnel Rebouças.

Posted 8:25 PM by RENATA CORRÊA


Comments:



POLAROID

Fotografias são tão ridículas!
Nostálgicas
Melancólicas
Inflexíveis.

Fotografias são tão falsas!
Mentem
Subvertem
Argumentam.

Fotografias são tão cruéis!
Torturam
Confundem
Chicoteiam.

Fotografias são tão desbotadas...
...Tão brancas
...Tão feias
...E estrangeiras.

Sobretudo,
Fotografias não são.


Posted 1:21 PM by RENATA CORRÊA


Comments:



NOTAS DO FIM

O mundo me ofende.
O mundo me oprime.
A humanidade fede.
Paris em novembro.
Moço, você tem alguma coisa para Gastrite?
Um marlboro light, por favor. Maço.
Nem fudendo.
Sem maionese.

É incrível como meu vocabulário vem diminuindo nos últimos tempos.

*****

Eu já achei que o Rio de Janeiro era um ovo. Hoje cheguei à conclusão que o Rio é a cloaca da codorna.

*****

Alguém viu meu sono por aí? Encontrando o pobrezinho, me ligue, pois ele tem sérios problemas físicos e mentais. Desde moleque. Meu sono não fez teste do pezinho nem nada. Não temos dinheiro para contratar alguém que cuide dele, e é só eu me distrair um minuto, pimba! Vai pela janela.

*****
Puta que pariu. Maconheiro é uma classe desunida, hein? Imagine se fosse a passeata dos trincados...

Posted 12:34 AM by RENATA CORRÊA


Comments:


Não sei se é a fama de pára-raio de doidos que atrai essa malucada que mais parece amiga do Gael, lá do Sanatorinho da Cris, ou se existe realmente uma conjunção astral, um motivo qualquer que sempre, mas sempre, me coloca em contato com todo o tipo de gente LOUCA e nas situações mais inusitadas. Resumindo: Em duas noites tive reunião com a Associação de Moradores do Turano (Valeu Renato!), encontrei atletas de cristo (pois é, atletas de cristo, uma longa história), conheci o filho do Guilherme Arantes (juro!), tomei um porre com a minha mãe (que horror!) e ouvi Beto Barbosa (Beijinho na boca, gostoso doce mel...) no videokê. Tudo isso por que? Por que? Por que a Renata resolveu ser uma pessoa socialmente responsável.

*****
Tirei o atraso! Caramba, fazia meses que eu não dormia direito, ontem apaguei, apaguei, irreversivelmente, nada no mundo, nem luz, nem baruho, nem nada atrapalhou, foi fantástico!



Posted 8:34 AM by RENATA CORRÊA


Comments:

André Gonçalves
Áspero é o teu dia
Bloco do eu sozinho
Blog de autores
Blog em construção
Caprichos & Relatos
Diário-AVATAR
Fernando Flack
Fulana e Beltrana
Idéia não inicial
Liberal libertário libertino
Ménage a 3
Méris
Meu Paredro
Mon coeur vomit
O passo que se apressa
Peregrino Sábio dos Enganos
Poetizar3
Porta Pantográfica
Sentido-Abstrato
Seu dinheiro de volta
Underground sem face




designed by:
Abstract-Guitar Design

powered by
BLOGGER.COM.BR