Sexta-feira, Janeiro 30, 2004
Alguém aí sabia que a TFP ainda existe? Nem eu sabia. Mas a quem interessar possa é uma organização católica chamada Tradição Família e Propriedade.
Essas criaturas, atrasadas, direitistas, conservadoras, aliadas do imperialismo invadiram o Rio de Janeiro. Cismaram que queremos seus folhetinhos a La Igreja Universal, no metrô, nas praças, nas portas dos bancos. Seus jovens recrutados sei lá como, duros como dois de paus, engomados, passados e pasteurizados com um sorriso grave no rosto querendo me convencer que:
- A Reforma Agrária é uma agitação comuno-socialista arquitetada pela "esquerda católica"
- O aborto e o casamento homossexual são uma imoralidade a ser combatida.
- Uma frente única anti-agro-reformista é a atitude sensata a se tomar em defesa do sagrado direito a propriedade.
Isso tudo entre outras baboseiras, sem fundamentos, argumentos ou justificativas. O que eles tentam fazer é uma análise místico-psico-sócio-político-econômica. E não convence nem o seu Zé, famoso profeta do Largo da Carioca.
Como levar a sério uma instituição riquíssima, que prega que as pessoas peguem doenças venéreas? É, por que recomendar o não uso de preservativos é isso. Na África tem países onde 1 em cada quatro pessoas está contaminada pelo HIV. É o novo holocausto que a Igreja apóia. Morre por que transa, morre de fome, pois não tem que comer, não tem terra para plantar. Enquanto isso a especulação dos latifundiários ganha fôlego com juros de 16,5%, juros esses que não valem para todos, nem para a falida Parmalat (Sua dívida cresce a 8,5% em decisão do governo).Tô puta.
E ainda tenho que agüentar esses sem noção. Putaqueparéu.
Como diria um amigo: Você acha que eu leio jornal para me informar? Eu leio é para reclamar!
Posted 4:26 PM by RENATA CORRÊA
Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
CARTINHA ORDINÁRIA
Meu amor, infelizmente eu tenho que dizer uma coisa. É um fato irreversível, alheio a minha vontade, inerente a minha personalidade.
O fato é que, eu posso amar duas pessoas, ou mais, mas isso nunca aconteceu, ao mesmo tempo.
Não é uma questão de beijar, trepar, pode até ser isso também, mas é muito mais um direito ao encantamento.
Acontece, então, um círculo vicioso. Cada vez que traio meus impulsos por respeito a aquilo que você acredita (não importa que você acredite nisso somente por que sempre foi assim ou por que te disseram que isso é o certo. Eu te respeito) eu me afasto. Algo quebra e eu sofro, mas eu sempre acho que vale a pena para ficar ao seu lado.
Mas um dia, o afastamento será tão grande, que eu vou te culpar, não vou te dizer, e aí, não vou saber mais se vale a pena. Você vai sofrer, eu vou sofrer mais ainda, vamos tentar, duas, três, dez vezes.
Quando tudo acabar e a gente desistir eu vou saber que não se ensina nada a ninguém, principalmente a fórceps. E você vai saber que amor precisa de oxigênio.
Mas, quando cair a ficha, e ela sempre cai, vamos estar botando em prática tudo o que aprendemos, e pessoas vão nos amar por isso. Você vai sentir culpa, eu não. É a vida, coisas do temperamento.
Pelo menos, no nosso eterno conformismo, teremos a certeza, de que fazíamos uma boa dupla. Pena que não somos competentes o suficiente para mantê-la.
Posted 5:42 PM by RENATA CORRÊA
Terça-feira, Janeiro 27, 2004
1º dia
- Alô, por favor, gostaria de falar com a Camilla?
- Ah? Camilla? Ela está no Iate Clube, aqui de Salvador, com a Taís
- Taís??? Salvador???
2º dia
- Alô, por favor, poderia falar com a Camilla?
- Perumpouquinho que eu vou chamar.
- ....
- Alô, quem fala?
- Camilla, aqui é Danielle, eu gostaria de saber o que aconteceu, você sumiu, não apareceu nos ensaios...
- Sabe o que é? Minha avó morreu.
- ...
- E aí eu tive que vir correndo para cá, e aí...
- Quando você volta?
- Sexta a noite, sábado de manhã, sei lá...
Agora imagina que essa filha da puta é a atriz do filme que você produz. Agora imagina que as filmagens começam na segunda...
Posted 5:39 PM by RENATA CORRÊA
Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
IVETE, CRISTÓVAM, E OS 450 ANOS DE SÃO PAULO
O Mundo Estranho News informa:
Tive o prazer de ir ao Show de Ivete Sangalo neste final de semana. Foi estudo antropológico para tese acadêmica de qualquer ordem. Não me perguntem como fui parar lá. Mas o que eu vi... Hordas de seres do sexo masculino comportando-se como Neanderthals no cio, movidos a álcool e os mais variados tipos de entorpecentes. Será que eles realmente acham que "Pô gata..." é algo inteligente para se dizer para uma mulher? Ou acham que dizer obscenidades e grosserias vão fazer qualquer loira com 103 cm de quadril cair de paixão? E as mulheres eram um caso a parte... Discípulas da Popozuda cantora evoluíam num esforço tremendo de pernas, seios e bundas para atrair a atenção de qualquer macho sóbrio (ou não) que passasse. E para completar a saga, tenho que ouvir, daquela rouca voz que emanava do trio elétrico que o sonho de qualquer garota é... Casar! Vê se pode um negócio desse. Num templo (e um tempo) da efemeridade uma voz retrógrada e conservadora se faz de exemplo e depois emenda numa música tão ou mais obscena que as cantadas proferidas pelos Ogros participantes do evento. Vai entender!
Reforma Ministerial: O gentleman
Duas coisas me chamaram a atenção no Reforma Ministerial: A ascensão de Aldo Rebelo e a queda de Cristóvam Buarque. Mas vou me ater ao último caso.
O cara agüentou durante toda a sua gestão a fúria de seus antigos admiradores por não conseguir colocar em prática aquilo que sempre defendeu. Foi leal até o último minuto. E aí ele é demitido por telefone para ajustar a complicada equação da reforma ministerial que abrigou o oportunista PMDB. E o que ele faz? Eu vou transcrever: "Independente do que aconteça, sou leal ao meu partido e defensor incondicional do Governo Lula, que é um governo do povo" e bem humorado completou: "Se soubesse que teria tanta atenção no meu retorno, teria pedido ao presidente para voltar antes" Isso cercado por militantes, jornalistas e fotógrafos loucos para ver o circo pegar fogo e Cristóvam babando e vociferando a favor de Babá e Luciana Genro.
No meu ministério de cavalheirismo ele tem lugar cativo.
450 gafes. Parei de contar aí.
Péssimo esse negócio de 450 anos de São Paulo. Encheu o saco do espectador com declarações demagogas e programação sofrível. Os apresentadores visivelmente desconfortáveis fazendo Uhuuuu. Constrangedor. E ainda arranjam um show no Vale do Anahangabaú. Aquele mesmo que alaga, arrasta carro, inunda construções quando a umidade no ar aumenta.
Bom, a Martha deve ter pensado: Ponho os pobres lá, se não chover eles votam em mim, se chover, morrem todos afogados.
E por favor, Globo, por mais que vocês façam, paulista que é paulista, gosta mesmo do Silvio Santos.
Posted 12:21 PM by RENATA CORRÊA
Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
HISTORINHAS PARA O CAFÉ
E assim, como quem realmente não se importasse, relutava em dizer que amava.
Queria, como se isso já não acontecesse, uma relação telepática. Mas não óbvia.
Sabia tudo do outro. Antecipava desejos. Sabia até quem era, quando tocava o telefone. Perfeição.
E assim foi. Mas não feliz. Pois obviamente, algo assim não poderia dar certo.
Ficaram, então, a vida inteira sabendo que foi um erro.
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Achava lindo vê-la dormindo. Cabelo preto espalhado no travesseiro branco.
Pés sempre juntos.
Boca levemente aberta. Puro clichê.
Aí ela acordou.
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Pensava que recomeçar de cabeça erguida era um dom.
Sofreu até não poder mais, e prometeu nunca mais cometer os erros do passado.
Pintou o cabelo, emagreceu, fez os homens de gato e sapato.
Um belo dia encontrou com o ex. Voltaram.
Agora ela está pintando o cabelo na pia. Pensando em nunca mais cometer os erros do passado.
Posted 4:41 PM by RENATA CORRÊA
Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
LIÇÕES QUE VOCÊ LEVA PARA A VIDA - PARTE 1
Quando eu morava em Oswaldo Cruz, tinha uma vizinha que gostava de Malt 90. Ela era dona de bar, e gostar de Malt 90 já é algo estranho, mas para completar, ela bebia a tal cerveja de rótulo verde em , digamos, temperatura ambiente.
Imagina a cena: chega o caminhão da distribuidora de bebidas. Os homens descarregam os engradados. Depois de tudo organizado, Alzira tira uma garrafa de Malt 90 do estoque, pega um copo, um abridor e senta na sua cadeirinha de plástico. Enche o copo, bebe um generoso gole e faz aquela cara de propaganda de Kolynos e ainda diz "Aaaahhh".
Foi aí, que ainda em tenra idade eu descobri a velha máxima: Gosto não se discute.
Posted 5:17 PM by RENATA CORRÊA
Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
O MELHOR DE NÃO FAZER TERAPIA
Bom, como diria Joana, minha (ex) psicóloga essa minha permanente vontade de sumir e ir para um lugar distante, onde ninguém me conheça e começar do zero é... Esqueci. Mas não é algo bom, segundo ela.
Depois de muito tempo, levanto minha independente voz e digo: Ruim é o Catzo! Quem sabe o que é bom pra mim sou eu. E se eu sumo ou deixo de sumir na minha imaginação só diz respeito a mim e ao homem invisível.
Eu era o ser mais chato do mundo quando fazia análise. Achava que todo mundo tava precisando de uma "sessãozinha", assim, de leve. Que aquela aversão do colega de trabalho por pizza de alho era um trauma qualquer que precisava ser escarafunchado e desvendado no interior de sua psiquê, pois se não, o pobre homem jamais encontraria a felicidade (ou a si mesmo...).
Digo isso, pois faz alguns dias eu estava em um momento pentelho. Achando que era a pior pessoa do Universo, logo, o centro dele, pois se algo ou alguém é o de pior que existe, todo mundo pelo menos sabe o que é. E aí deu a vontade de sumir. Aqueles pensamentos altamente filosóficos e importantes para a humanidade como: Se eu morrer alguém vai no meu enterro? E se for, alguém vai chorar? E quem vai se agarrar no caixão gritando "Volta!, volta!"?
E sabe o que é o melhor dessa fase imprestável? Ela passou. E eu não precisei passar na Joana...
Posted 3:06 PM by RENATA CORRÊA
Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
O SER MAIS RIDÍCULO E ANACRÔNICO QUE EU CONHEÇO...
... sou eu mesma.
Como pode alguém amar a tragédia, o melodrama, a fatalidade, a desgraça, o inevitável, o imponderável e todo tipo de mazela humana e ao mesmo tempo ter uma vida de piada (sem graça) do Ary Toledo?
Um ser risível, que é atacada por jornais velhos na ventania, que bate com a cabeça em pirâmides decorativas e queima a sobrancelha no fogão. Pelo menos, se eu tivesse vocação para o humor! Mas não! Eu tenho um péssimo humor. Mas afinal, as anedotas nunca são engraçadas para os seus personagens. E eu não sei rir de mim mesma.
Queria ter uma profundidade dramática, meio Eco, meio Marquéz, meio Shakespeare. Queria ser a Clarice Lispector, queria ser a Felice de Kafka. Queria, como Orfeu, viajar ao inferno, ser traída pelos meus instintos. Mas o máximo que eu consigo é ser um personagem de Pessoa às avessas. Sem ser poeta, sem fingir e sem sentir.
Quem sabe, se eu arranjasse um pseudônimo? Poderia fugir deste patético destino? Mas, personagem, seria eu, ou fragmento?
Posted 1:14 PM by RENATA CORRÊA
Sexta-feira, Janeiro 16, 2004
NOVELAS: MOCINHAS E VILÃS
Particularmente, em qualquer obra de ficção, eu sempre torci para o vilão. O vilão é aquele que dá sentido para a história, que tem sangue correndo nas veias, que luta ATÉ O FIM pelos seus objetivos. E iria conseguir, se o arbitrário autor não o matasse no final. Enquanto a Mocinha, que moscou durante infindáveis páginas e capítulos ganha o prêmio (Fica rica, casa com o mocinho, prova sua inocência...).
Mas de uns tempos para cá, um fenômeno vem acontecendo. Principalmente com as personagens femininas de novelas. Vocês já repararam como as Mocinhas tem ficado muito filhas da puta? E como cada vez mais elas estão sacaneando as pobres vilãs? E as vilãs cada vez mais burras?
A Maria Clara Diniz, por exemplo, fudeu com a vida de pelo menos 3 personagens: Ubaldo, Laura e Beatriz. Mas vamos nos ater ao último caso. A Beatriz é uma figura doente, precisa de tratamento. E o que o marido (mocinho) faz na hora que ela mais precisa? Chifra a infeliz. A desgraçada perdeu um filho, tem outro filho viadinho e ainda tenho que agüentar as cenas de Fernando e Mª Clara no motel falando mal da boboca que fica em casa pensando em ser uma pessoa melhor e salvar sua família. É uma vilã patética. No caso contrário, se fosse o Fernando o alucinado problemático ela NUNCA iria correndo atrás do primeiro pau que aparecesse. Iria cuidar do pobre diabo até que ele se recuperasse... E o Fernando pode ficar horas e horas sem fim trepando com a Mª Clara e diz que não tem tempo para cuidar do filho neurótico.
A boazinha da novela das 18h quer tirar a fábrica da cidade e acabar com a única fonte de renda do lugarejo, demitindo uma penca de gente, incluindo parentes.
A da novela das 19h sequer sabe de quem é o filho que está esperando, e cogitou largar os já nascidos e vazar com um ogro qualquer.
Mas o cúmulo da incompetência é de uma novela que nem começou. Só vi a propaganda: A Giovanna Antoneli dizendo que ficou noiva 8 anos do paspalho e agora perdeu a parada... Como alguém NOOOIVAAA OOOOIIIITOOO anos? Quer vilã mais imbecil??? Vilã boa, que noivou oito anos pelo menos tinha conhecido um safadão amigo do mocinho três vezes mais rico e se juntava com ele para concretizar as acanagens, casava logo de uma vez, em oito semanas! Bestalhona.
Posted 10:13 AM by RENATA CORRÊA
Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
SÍNDROME DE PETER PAN CONTRA COMPLEXO DE ALICE
Um dia me peguei na seguinte situação: Num posto de gasolina, com algumas cervejas a mais na cabeça, brincado de Mês* com uns colegas da faculdade. Chegou uma hora que o que uma figura queria um lugar. "Terra do Nunca ou País das Maravilhas?" Lógico que como bom homem, macho e do sexo masculino (quem faz cinema tem que especificar, né?) ele escolheu a Terra do Nunca.
Esse rapaz é um exemplo clássico. Homens preferem não crescer. Ser criança é não ter responsabilidade de nenhuma ordem, profissional, familiar ou afetiva. É curtir tardes e tardes de infinitas delícias e diversões sem ter que dar satisfação a ninguém... É a síndrome de Peter Pan. Uma Wendy nova a cada temporada, uma Fada Sininho no pé e um bando de baba ovo (os meninos perdidos) dizendo que você é o máximo (Pega geral, hein?), sabe voar (Que carro maneiro você comprou! Faz de 0 a 100 em quantos segundos?) e ainda esculacha o Capitão Gancho (Mandei meu chefe tomar no cú!!!).
Em contrapartida as mulheres sofrem do Complexo de Alice que se caracteriza pela pressa de crescer. Uma busca desenfreada por independência ou casamento com uma penca de filhos, depende da garota. Afinal, ao contrário da Síndrome de Peter Pan, no Complexo de Alice ser criança significa ter que dar satisfação a todo mundo do que você veste, o que você come (Cogumelos?), para onde vai, com quem vai (Chapeleiro ou Lebre?). A independência é uma imposição que as esmaga. E a ilusão que casamento liberta alguém é comum. E a penca de filhos é só para exercer o sadismo de mandaram em mim, agora eu vou mandar em alguém (É agora que entram as gargalhadas diabólicas!).
Moral da história: Homens de 20/30 querem ser meninos de 15 com carteira de motorista e fogem de mulheres com Síndrome de Alice, que por sua vez acham todos os homens canalhas e infantis. Oh, que desencontro de Contos de Fadas!
* Mês: Brincadeira em que duas pessoas pedem para um grupo adivinhar um mês do ano que foi combinado em segredo. Quem adivinha ganha o direito de escolher "o que quer da vida" Seja isso um carro, um (a) namorado (a), uma viagem ou uma bala halls.
Supondo que o sortudo tenha escolhido a bala halls. Uma pessoa da dupla escolhe uva verde e outra eucalipto. Aí perguntam: Uva verde ou eucalipto? O cara diz: Eucalipto! Aí o cara da dupla que botou a uva verde no páreo, vai para o grupo, e o cara que escolheu Eucalipto faz dupla com a parte da dupla que sobrou. Achou complicado? Faz isso no Am. Pm. 4 da manhã !
Posted 10:42 AM by RENATA CORRÊA
Quarta-feira, Janeiro 14, 2004
O GATO
Tinha um ex-namorado que sempre dizia que apego e posse eram venenos para qualquer tipo de relacionamento. Eu sempre concordava com a posse, mas, apego??? Qual o problema de se apegar?
Um dia apareceu "O" gato. Lindo, lindo lindo, carente, precisando de carinho, atenção, etc, etc. Sabia retribuir esse afeto de forma independente segura e cativante. Resultado? Me apeguei de forma irreversível.
Ele não prometeu nada, mas eu já achava que nossa relação era "até que a morte nos separe", o apego foi que criou a fantasia. Sendo simplesmente afeto, não haveria engano.
Infelizmente, eu não vi o óbvio e um dia ele foi embora, sem explicações. Sofri horrores e não me conformei com a perda, afinal não sabia o que tinha acontecido, se havia carinho melhor que o meu ou se motivos alheios a sua vontade nos afastaram.
Bom , até hoje acho que ele pode voltar, e a passividade se justifica, pois já fiz tudo que estava ao meu alcance para encontrá-lo. Não me acostumei com afeto de gato. Prefiro os cães; são mais dependentes... Ah! Seu nome era Fellini, tinha bigodes de Clarck Gable e era branco de manchas pretas.
Posted 2:42 PM by RENATA CORRÊA
Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
Passaram-se alguns anos. Poucos para o esquecimento completo, muitos, para uma lembrança atormentada. Reencontro difícil, cheio de pendências, amarguras, não cumprimentos. Mal resolvido. Diálogo áspero, fazer o quê? Só restam o beijo agressivo, o sexo de redescoberta e redenção. Sem perdão; só para lavar a alma. Teu gosto na boca, você dormindo. Esquecimento. Ter você é prisão e memória.
Posted 12:42 PM by RENATA CORRÊA
Quinta-feira, Janeiro 08, 2004
Alguns Capricornianos...
Cândido Portinari
pintor
Euclides da Cunha
escritor
Gerson Brenner
ator
Guilherme Fontes
ator
Jô Soares
humorista
Oswald de Andrade
escritor
Rita Lee
cantora e compositora
Al Capone
mafioso
Aristóteles Onassis
armador grego
Ava Gardner
atriz
Cary Grant
ator
David Bowie
cantor
Diane Keaton
atriz
Elvis Presley
cantor
Faye Dunaway
atriz
Federico Fellini
cineasta
Gerard Depardieu
ator
Hanna Schygulla
atriz
Jim Carrey
ator e comediante
Joana D¿Arc
heroina francesa
Johannes Kepler
astrólogo e astrônomo
Josef Stálin
estadista russo
Kevin Costner
ator
Lloyd Bridges
ator
Louis Pasteur
cientista
Mao Tse-tung
estadista chinês
Marlene Dietrich
atriz
Martin Luther King
pastor negro americano
Maurice Béjart
coreógrafo
Mel Gibson
ator
Mohamed Ali
ex-lutador de boxe
Nicolas Cage
ator
Richard Nixon
presidente americano
Ricky Martin
cantor
Sissi Spacek
atriz
Stephen Hawking
cientista
Posted 5:14 PM by RENATA CORRÊA
O EXAME ADMISSIONAL (OU O ATAQUE DA NOIVA DO CHUCK)
9h e 30min - Barra da Tijuca - Campus Terra (ARGH!) Encantada da UNESA
Renata: Oi e aí, chegaram há muito tempo?
Robson: Pô, acabei de chegar.
Danielle (rosnando): Tô aqui desde sete e meia da manhã!
Renata: Tu é maluca "mermo", hein? Eles falaram pra gente tá aqui nove e meia!
Danielle: Calculei mal... Pô, mas também isso aqui é o fim do mundo!
Recepcionista (bocejando): Poooissss nããããoooo????
Danielle: Entrega de documentos e exame admissional.
A recepcionista pega o telefone, cochicha algo e diz: Sentem-se. A Ana Claudia virá recebê-los.
10h e 49min - Barra da Tijuca - Campus Terra (ARGH!) Encantada da UNESA
Renata: Tá demorando, né?
Robson: Pior que é.
Danielle: Vou lá falar com a mulher.
Danielle levanta.
Recepcionista: Pooooissss nãaaaooo???
Danielle: A Ana Claudia ainda vai demorar? Temos que voltar pro Rebouças.
Recepcionista: ...
Danielle: É que..
A recepcionista pega o telefone. Cochicha.
Recepcionista (com sorriso colgate): Ela já vem, tá???
Danielle nem senta e uma mulher de preto com o crachá "ANA CLAUDIA - RH".
Ana Claudia: Danielle, Robson e Renata!!!
Faz-se uma roda em volta da mulher.
Ana Claudia: Olha só, tipo assim, a gente tentou ao máximo agilizar as coisas, mas, tipo assim os médicos, eles estão onde vocês estavam, mas, tipo assim, eles só vão chegar tipo duas da tarde.
Renata: Duas da tarde???
Ana Claudia: É, tipo assim, vocês me entregam os documentos, e depois podem ir ali no Via Parque, comer uma coisinha, dar tipo um rolé assim (o vocabulário dela tava aumentando!).
Todos entregam os documentos.
Ana Claudia: Tipo assim, Danielle, falta teu PIS, Renata, falta teu nada consta da Justiça Eleitoral e Robson! Robson, faltam suas fotos 3 x 4!!! A Justiça Eleitoral fica aqui pertinho em frente ao Casa Shopping, a Caixa Econômica fica no Barra Shopping e a fotinho, Robson, você pode tirar em qualquer shopping. (Quanta coisa tem na Barra, não?)
14h e 40min - Av. das Américas - calçada
Trim! Trim! Trim!
Renata: Alô!
Danielle: Renata, já tô aqui! Não tem médico nenhum!
Renata: Cara, tô aqui com o Robson, tentando voltar, mas disseram que só dá a pé! Tô vendo umas montainhas russas lááááááá longe... Pera lá! Como você chegou tão rápido?
Danielle: Peguei carona com um taxista tarado!
15h20min - Terra (ARGH!) Encantada
Recepcionista: Renata! Exame!
15h22min - Salinha do Exame - Campus Terra (ARGH!) Encantada
Médica: Oi... (Revira as fichas) Renata. Renata, né?
Renata: É, sou eu.
Médica: Que sorte você sendo contratada! Só hoje estamos fazendo o demissional de quase 500 professores. Háháháháháhá! Data da última menstruação?
Renata : Dezembro.
Médica: Quanto de Dezembro, minha filha???
Renata: 9 de dezembro.
Médica: Faz tempo, né?
Renata (bem baixinho): Faz tempo a data que você nasceu, né???
Médica: HÃ???
Renata: Nada não...
Médica: Estuda o quê lá?
Renata: Cinema.
Médica: Nooossaaa! Tem gente que não tem medo de passar fome né? Deixa eu tirar sua pressão.
Ela quase esmaga o braço da pobre estudante
Médica: Qual o filme que você gosta? Eu adoro Titanic! E você???
Renata (olhando no fundo dos olhos): A Noiva do Chuck!
Médica: Tá liberada, lindinha! Próximo!
Posted 3:45 PM by RENATA CORRÊA
Terça-feira, Janeiro 06, 2004
Quando ela chegava em casa adorava vê-lo cozinhar de cuecas. Samba-canção. Ela colocava um CD do Chico e sentava no banquinho e acendia um cigarro.
Seu trabalho a obrigava a usar sempre preto. Ele adorava vê-la sentada no banquinho, encostada nos azulejos brancos, a fumaça azulada emoldurando o rosto, o coque desfeito com a satisfação de quem arrancou a gravata.
"Ah... Se já perdemos a noção da hora..."
Ele abaixava para pegar a panela maior e ela sorria. Ele jogava a massa na água fervendo, o fio de azeite na panela, o cheiro dele se misturando com os vapores do fogão. Ela abria a geladeira, abria uma garrafa, servia duas taças e lhe beijava a nuca. Ele se virava, dava um estalinho e voltava para o sal e os temperos.
Um dia ela chegou. Nenhum cheiro. Cozinha vazia. Foi até a sala. Ele sentado, de cuecas.
- Arranjei um emprego, meu amor!
Terminaram em 4 meses.
Posted 5:55 PM by RENATA CORRÊA
Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
1º Dia
Primeira segunda feira depois do recesso. Todos com aquela cara de sono e um sorriso de "você não sabe a vida secreta e selvagem que eu tenho fora daqui", quando na verdade todos nós sabemos que a única orgia que aconteceu foi a alimentar. As panças crescendo em frente ao Especial do RC... Os cérebros diminuindo frente a hipocrisia natalina. Cabeça menor, pança maior... Realmente não é uma proporção de sonho...
Uma legião de Donas Redonda e de Reis Momo invadindo alegremente a cidade em sua doce anarquia de sorvetes e bombas de chocolate. A miopia aumenta, a cabeça já está muito pequena e a felicidade esfuziante contagia os transeuntes. Os populares já não percebem a deformidade. A festa está instalada e os anfitriões jogam nacos generosos de comida para a platéia.
Tenho que dar o braço a torcer. Realmente foram emocionantes estes dias. Eu é que fiquei sentada no muro. Esfomeada e com olhos de lince, sem saber ao certo se me jogava nos braços do povo ou caía para o outro lado, no abismo infinito.
Posted 12:03 PM by RENATA CORRÊA
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